Exercício Resolvido de Dilatação
publicidade   



Um tubo capilar de vidro de diâmetro d0 = 1/5 mm e comprimento h0 = 1 m, medidos a 0 °C, é dividido em 100 partes de mesma altura. Determinar a capacidade do reservatório (a 0 °C) que será preciso soldar em sua extremidade inferior, para que funcione como um termômetro de mercúrio de 0 a 100 °C. Os coeficientes de dilatação volumétrica do mercúrio e do vidro valem respectivamente:   \( \gamma_{Hg}=\dfrac{1}{5550}°\text{C}^{-1} \)    e    \( \gamma_{V}=\dfrac{1}{38850}°\text{C}^{-1} \).


Dados do problema:
  • Temperatura inicial:    t0 = 0 °C;
  • Temperatura final:    t1 = 100 °C;
  • Comprimento do tubo:    h0 = 1 m;
  • Diâmetro do tubo:    \( d_{0}=\dfrac{1}{5}\;\text{mm} \);
  • Coeficiente de dilatação volumétrica do mercúrio:    \( \gamma_{Hg}=\dfrac{1}{5550}°\text{C}^{-1} \);
  • Coeficiente de dilatação volumétrica do vidro:    \( \gamma_{V}=\dfrac{1}{38850}°\text{C}^{-1} \).
Esquema do problema:

À temperatura de 0 °C o tubo capilar possui um volume V0T e o reservatório um volume V0R, inicialmente o mercúrio ocupa todo o volume do reservatório.

Figura 1

A medida que o sistema é aquecido ele se expande em todas as direções, como o mercúrio possui um coeficiente de dilatação maior que o do vidro ele se expande mais que o reservatório onde está e começa a subir pelo capilar. Na temperatura de 100 °C o reservatório vai ter se expandido, como o tubo é um capilar (um tubo muito fino) a sua expansão pode ser desprezada, e o mercúrio vai se expandir até ocupar totalmente o volume do reservatório e do tubo capilar.

Solução

Convertendo o diâmetro do tubo dado em milímetros (mm) para metros (m) usado no Sistema Internacional (S.I.)
\[ d_{0}=\frac{1}{5}\text{mm}=0,2\;\cancel{\text{mm}}.\frac{1\;\cancel{\text{m}}}{10^{3}\;\text{mm}}=0,2.10^{-3}\;\text{m}=2.10^{-1}.10^{-3}\;\text{m}=2.10^{-4}\;\text{m} \]
A variação do volume do mercúrio no tubo (ΔVT, volume aparente) será a diferença entre a variação total do volume do mercúrio (ΔVHg) e a variação do volume do reservatório (ΔVR)
\[ \begin{gather} \Delta V_{T}=\Delta V_{Hg}-\Delta V_{R} \tag{I} \end{gather} \]
A dilatação volumétrica é dada por
\[ \bbox[#99CCFF,10px] {\Delta V=V_{0}\gamma \Delta t} \]
a variação total do volume do mercúrio é dada por
\[ \begin{gather} \Delta V_{Hg}=V_{0Hg}\gamma_{Hg}\Delta t \tag{II} \end{gather} \]
a variação total do volume do reservatório é dada por
\[ \begin{gather} \Delta V_{R}=V_{0 R}\gamma_{V}\Delta t \tag{III} \end{gather} \]
substituindo as expressões (II) e (III) na expressão (I)
\[ \Delta V_{T}=V_{0 Hg}\gamma_{Hg}\Delta t-V_{0 R}\gamma_{V}\Delta t \]
como inicialmente o mercúrio ocupa todo o volume do reservatório V0Hg = V0R, colocando V0RΔt em evidência
\[ \begin{gather} \Delta V_{T}=V_{0R}\Delta t\left(\gamma_{Hg}-\gamma_{V}\right) \tag{IV} \end{gather} \]
A variação do volume do mercúrio no tubo é dado por
\[ \begin{gather} \Delta V_{T}=V_{1T}-V_{0T} \tag{V} \end{gather} \]
quando a temperatura é de 0 °C o volume de mercúrio no tubo é nulo (V0T = 0, todo o mercúrio está no reservatório), quando a temperatura atinge 100 °C o tubo está cheio de mercúrio e como desprezamos a expansão do tubo de vidro o seu volume é o mesmo que a 0 °C. O tubo tem formato cilíndrico e seu volume é dado por
\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {V=\pi r^{2}h} \tag{VI} \end{gather} \]
o raio da base será metade do diâmetro dado no problema
\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {r=\frac{d}{2}} \tag{VII} \end{gather} \]
substituindo a expressão (VII) na expressão (VI) o volume final do tudo será
\[ \begin{gather} V_{1T}=\pi \left(\frac{d_{0}}{2}\right)^{2}h_{0} \tag{VIII} \end{gather} \]
substituindo a expressão (VIII) na expressão (V)
\[ \begin{gather} \Delta V_{T}=\pi \left(\frac{d_{0}}{2}\right)^{2}h_{0}-V_{0T} \tag{IX} \end{gather} \]
substituindo a expressão (IX) na expressão (IV), e sendo \( \Delta t=t_{1}-t_{0} \)
\[ \begin{gather} \pi \left(\frac{d_{0}}{2}\right)^{2}h_{0}-V_{0T}=V_{0R}\Delta t\left(\gamma_{Hg}-\gamma_{V}\right)\\ \pi\left(\frac{d_{0}}{2}\right)^{2}h_{0}-V_{0T}=V_{0R}\left(t_{1}-t_{0}\right)\left(\gamma_{Hg}-\gamma_{V}\right)\\ V_{0R}=\frac{\pi\left(\dfrac{d_{0}}{2}\right)^{2}h_{0}-V_{0T}}{\left(t_{1}-t_{0}\right)\left(\gamma_{Hg}-\gamma_{V}\right)} \end{gather} \]
substituindo o valor V0T obtido acima, os valores dados no problema e adotando π = 3,14
\[ \begin{gather} V_{0R}=\frac{3,14.\left(\dfrac{2.10^{-4}}{2}\right)^{2}.1-0}{\left(100-0\right).\left(\dfrac{1}{5550}-\dfrac{1}{38850}\right)}\\[5pt] V_{0R}=\frac{3,14.1.10^{-8}}{100.\left(18.10^{-5}-2,6.10^{-5}\right)}\\[5pt] V_{0R}=\frac{3,14.10^{-8}}{100.15,4.10^{-5}}\\[5pt] V_{0R}=\frac{3,14.10^{-8}}{15,4.10^{-3}}\\[5pt] V_{0R}=\frac{3,14.10^{-8}.10^{3}}{15,4}\\[5pt] V_{0R}=\frac{3,14.10^{-5}}{15,4} \end{gather} \]
\[ \bbox[#FFCCCC,10px] {v_{0R}=2,04.10^{-6}\;\text{m}^{3}} \]
publicidade   

Licença Creative Commons
Fisicaexe - Exercícios Resolvidos de Física de Elcio Brandani Mondadori está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-Compartilha Igual 4.0 Internacional .