Exercício Resolvido de Dioptro
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Um reservatório cilíndrico tem por base um espelho esférico côncavo E, cuja face refletora é voltada para o interior do cilindro. O vértice do espelho é o ponto V e seu raio de curvatura vale 16 cm, o eixo principal do espelho é vertical e coincidente com o eixo do cilindro. O interior desse cilindro está cheio de água até uma altura VA = 8 cm. Sobre o eixo do cilindro e acima da água encontra-se um objeto a 20 cm de V. Sendo o índice de refração da água 4/3, determinar a posição da imagem final produzida por refração na água e reflexão no espelho.

Dados do problema:

  • Distância do objeto ao espelho: p = 20 cm;
  • Raio de curvatura do espelho: R = 16 cm;
  • Índice de refração da água: \( n_2=\dfrac{4}{3} \);
  • Adotando-se o meio externo como sendo o ar, índice de refração do ar: n1 = 1.

Esquema do problema:

Figura 1

Solução:

A distância focal do espelho é dada por

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {f=\frac{R}{2}} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} f=\frac{16}{2} \\[5pt] f=8\;\mathrm{cm} \end{gather} \]
O foco do espelho está situado no ponto A na superfície de separação entre o ar e a água.
Usando a propriedade dos espelhos esféricos que diz que todo raio de luz que incide paralelamente ao eixo principal é refletido passando pelo foco principal do espelho, obtemos a situação mostrada na Figura 2.
O raio de luz vindo do objeto incide perpendicularmente na superfície de separação ar/água e passa sem sofrer desvio, o raio reflete no espelho em direção ao foco e neste ponto é refratado. O raio refletido incide na superfície de separação formando um ângulo \( {\hat i}_1 \) e é refratado para o meio externo formando um ângulo \( {\hat r}_1 \) com a normal.
Figura 2
Tomando-se um segundo, este incidi na superfície de separação ar/água onde está o foco do espelho e é refratado em direção ao vértice do espelho, usando a propriedade de que todo raio de luz que incide no foco do espelho reflete-se paralelamente ao eixo principal, temos a situação mostrada na Figura 3.
O raio de luz incide na água formando um ângulo \( {\hat i}_2 \) com a normal e é refratado para dentro da água formando um ângulo \( {\hat r}_2 \), o raio de luz incide, então, no vértice do espelho e é refletido paralelamente ao eixo principal.
Figura 3
Do cruzamento entre os dois raios temos o ponto onde se forma a imagem i. A distância p' é o valor a ser calculado.
Figura 4

Consideremos o primeiro raio refletido no espelho e refratado para o meio (mostrado em destaque na Figura 5), aplicando a Lei de Snell-Descartes

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {n_1\operatorname{sen}\theta_1=n_2\operatorname{sen}\theta_2} \end{gather} \]
Figura 5

Fazendo a aproximação \( \operatorname{sen}\theta\approx\operatorname{tg}\theta \) para \( {\hat i}_1 \) e \( {\hat r}_1 \) pequenos, podemos reescrever a Lei de Snell-Descartes da seguinte forma

\[ \begin{gather} n_2\operatorname{tg}\hat i_1=n_1\operatorname{tg}\hat r_1 \tag{I} \end{gather} \]
Observação: Considerando o círculo trigonométrico, para pequenos ângulos o valor do seno medido ao longo do eixo-y é aproximadamente igual ao valor da tangente medida sobre a reta tangente ao círculo trigonométrico, e o valor do cosseno medido ao longo do eixo-x é aproximadamente igual a 1 (Figura 6).
Se tiver dificuldade em entender essa aproximação pense com valores numéricos, por exemplo:

para θ = 1° = 0,017453 radianos
sen 1° = 0,017452
tg 1° = 0,017455
cos 1° = 0,999847

para θ = 5° = 0,087266 radianos
sen 5° = 0,087156
tg 5° = 0,087489
cos 5° = 0,996195

Figura 6
Da "Trigonometria"
\[ \begin{gather} \operatorname{tg}{\hat i}_1=\frac{\text{cateto oposto}}{\text{cateto adjacente}}=\frac{o}{f} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \operatorname{tg}{\hat r}_1=\frac{\text{cateto oposto}}{\text{cateto adjacente}}=\frac{i}{p'-f} \end{gather} \]

substituindo estes valores na equação (I)

\[ \begin{gather} n_2\frac{o}{f}=n_1\frac{i}{p'-f} \\[5pt] \frac{i}{o}=\frac{n_2}{n_1}\frac{p'-f}{f} \tag{II} \end{gather} \]

Consideremos o segundo raio incidente na superfície da água no ponto onde está o foco, e refratado para a água (Figura 7), aplicando, novamente, a Lei de Snell-Descartes

\[ \begin{gather} n_1\operatorname{sen}{\hat i}_2=n_{2}\operatorname{sen}{\hat r}_2 \end{gather} \]

Usando novamente a aproximação \( \operatorname{sen}\theta \approx \operatorname{tg}\theta \) para \( {\hat i}_2 \) e \( {\hat r}_2 \) pequenos, podemos reescrever a Lei de Snell-Descartes da seguinte forma

\[ \begin{gather} n_1\operatorname{tg}{\hat i}_2=n_{2}\operatorname{tg}{\hat r}_2 \tag{III} \end{gather} \]

As tangentes serão dadas por

\[ \begin{gather} \operatorname{tg}{\hat i}_2=\frac{\text{cateto oposto}}{\text{cateto adjacente}}=\frac{o}{p-f} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \operatorname{tg}{\hat r}_2=\frac{\text{cateto oposto}}{\text{cateto adjacente}}=\frac{i}{f} \end{gather} \]

substituindo estes valores na equação (III)

\[ \begin{gather} n_1\frac{o}{p-f}=n_2\frac{i}{f} \\[5pt] \frac{i}{o}=\frac{n_1}{n_2}\frac{f}{p-f} \tag{IV} \end{gather} \]
Igualando as equações (II) e (IV)
\[ \begin{gather} \frac{n_2}{n_1}\frac{p'-f}{f}=\frac{n_1}{n_2}\frac{f}{p-f} \\[5pt] p'-f=\frac{n_1^2}{n_2^2}\frac{f^2}{p-f} \\[5pt] p'=\frac{n_1^2}{n_2^2}\frac{f^2}{p-f}+f \end{gather} \]
substituindo os dados do problema e o valor do foco calculado
\[ \begin{gather} p'=\frac{1^2\times 8^2}{\left(\frac{4}{3}\right)^2\times (20-8)}+8 \\[5pt] p'=\frac{1\times 64}{\frac{16}{9}\times 12}+8 \\[5pt] p'=\frac{9}{16}\times \frac{64}{12}+8\\p'=3+8 \\[5pt] p'=11 \end{gather} \]
Figura 7

A imagem se formará a 11 cm do vértice do espelho ou a p'f = 11−8 = 3 cm acima da água.

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