Exercício Resolvido de Dioptro
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Um raio de luz incide sobre uma lâmina de faces paralelas sob um ângulo i, o índice de refração da lâmina em relação ao meio envolvente é n e sua espessura e. Determinar o deslocamento lateral do raio luminoso.

Dados do problema:

  • Ângulo de incidência do raio de luz: i;
  • índice de refração da lâmina em relação ao meio envolvente: \( n=\dfrac{n_2}{n_1} \);
  • espessura da lâmina: e.

Construção do caminho do raio de luz:

Traçamos a normal à primeira face da lâmina e o raio incidente formando o ângulo \( i={\hat i}_1 \) com a normal (Figura 1).
Figura 1
Sendo o meio interno da lâmina mais refringente que o meio externo onde ela está (n2 > n1) então quando o raio de luz passa do meio externo para o meio interno ele se aproxima da normal e o ângulo \( {\hat i}_2 \) do raio refratado será menor que \( {\hat i}_1 \) (Figura 2).
Figura 2
O raio de luz refratado dentro da lâmina vai incidir na segunda face sob um certo ângulo i’, traçando-se a normal à face no ponto de incidência do raio de luz os ângulo i’ e \( {\hat i}_2 \) são alternos internos, então \( i'={\hat i}_2 \), o raio sai para o meio externo, passando de um meio mais refringente para um meio menos refringente e ele se afasta da normal, a direção final será a mesma do raio incidente inicialmente e \( {\hat i}_3={\hat i}_1 \) (Figura 3).
Figura 3

Esquema do problema:

Figura 4

O desvio d será a distância entre os pontos A e C, a distância entre a direção que o raio de luz seguiria se passasse direto, sem desvio, e a direção real que o raio de luz segue após sair da lâmina.

Solução:

O desvio d é um dos catetos do triângulo ΔCAB, reto em A, o ângulo (segmento \( \hat i_1-\hat i_2 \)) é o ângulo entre o caminho que o raio de luz seguiria se não sofresse desvio (segmento (\( \overline{BA} \))) e o raio de luz que atravessa a lâmina (segmento (\( \overline{BC} \))), podemos obter d através do seno do ângulo

\[ \begin{gather} \operatorname{sen}\left({\hat i}_1-{\hat i}_2\right)=\frac{\overline{AC}}{\overline{BC}}=\frac{d}{\overline{BC}} \tag{I} \end{gather} \]

O triângulo ΔBDC é reto em D, então o cosseno do ângulo \( {\hat i}_2 \) será

\[ \begin{gather} \cos{\hat i}_2=\frac{\overline{BD}}{\overline{BC}}=\frac{e}{\overline{BC}} \tag{II} \end{gather} \]

onde o cateto \( \overline{BD} \) do triângulo é igual a espessura e da lâmina.
Das equações (I) e (II) podemos isolar o lado \( \overline{BC} \) comum aos dois triângulos

>
\[ \begin{gather} \overline{BC}=\frac{d}{\operatorname{sen}\left({\hat i}_1-{\hat i}_2\right)} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \overline{BC}=\frac{e}{\cos {\hat i}_2} \end{gather} \]

igualando as duas equações acima

\[ \begin{gather} \frac{d}{\operatorname{sen}\left({\hat i}_1-{\hat i}_2\right)}=\frac{e}{\cos{\hat i}_2} \\[5pt] d=e\frac{\operatorname{sen}\left({\hat i}_1-{\hat i}_2\right)}{\cos{\hat i}_2} \end{gather} \]

A espessura (e) e o ângulo de incidência \( {\hat i}_1 \) são conhecidos o único dado desconhecido nesta equação é o ângulo do raio refratado \( {\hat i}_2 \), desenvolvendo o termo do seno da diferença que é do tipo

\[ \begin{gather} \operatorname{sen}(a-b)=\operatorname{sen}a\cos b-\operatorname{sen}b\cos a \end{gather} \]
\[ \begin{gather} d=e\frac{\operatorname{sen}{\hat i}_1\cos{\hat i}_2-\operatorname{sen}{\hat i}_2\cos {\hat i}_1}{\cos{\hat i}_2} \\[5pt][5pt] d=e\left[\frac{\operatorname{sen}{\hat i}_1\cos{\hat i}_2}{\cos {\hat i}_2}-\frac{\operatorname{sen}{\hat i}_2\cos{\hat i}_1}{\cos{\hat i}_2}\right] \\[5pt] d=e\left[\operatorname{sen}{\hat i}_1-\frac{\operatorname{sen}{\hat i}_2\cos{\hat i}_1}{\cos {\hat i}_2}\right] \tag{III} \end{gather} \]

Pela Lei de Snell-Descartes

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {n_1\operatorname{sen}\theta_1=n_2\operatorname{sen}\theta _2} \end{gather} \]

então podemos correlacionar os ângulos de incidência \( {\hat i}_1 \) e refração \( {\hat i}_2 \) e isolar o \( \operatorname{sen}{\hat i}_2 \)

\[ \begin{gather} n_1\operatorname{sen}{\hat i}_1=n_2\operatorname{sen}{\hat i}_2 \\[5pt] \operatorname{sen}{\hat i}_2=\frac{n_1}{n_2}\operatorname{sen}{\hat i}_1 \end{gather} \]

o termo \( \frac{n_1}{n_2} \) é o inverso do índice de refração relativa dado no problema \( \frac{1}{n}=\frac{n_1}{n_2} \) e podemos escrever

\[ \begin{gather} \operatorname{sen}{\hat i}_2=\frac{1}{n}\operatorname{sen}{\hat i}_1 \tag{IV} \end{gather} \]

Para encontrarmos \( \cos {\hat i}_2 \) lembremos da relação trigonométrica

\[ \begin{gather} \cos^2{\hat i}_2+\operatorname{sen}^2{\hat i}_2=1 \\[5pt] \cos{\hat i}_2=\sqrt{1-\operatorname{sen}^2{\hat i}_2} \end{gather} \]

substituindo \( \operatorname{sen}{\hat i}_2 \) pelo valor encontrado em (IV)

\[ \begin{gather} \cos{\hat i}_2=\sqrt{1-\left(\frac{1}{n}\operatorname{sen}{\hat i}_1\right)^2} \\[5pt] \cos{\hat i}_2=\sqrt{1-\frac{1}{n^2}\operatorname{sen}^2{\hat i}_1} \end{gather} \]

colocando o termo \( \frac{1}{n^2} \) em evidência

\[ \begin{gather} \cos{\hat i}_2=\sqrt{\frac{1}{n^2}\left(n^2-\operatorname{sen}^2{\hat i}_1\right)} \\[5pt]\cos {\hat i}_2=\frac{1}{n}\sqrt{n^2-\operatorname{sen}^2{\hat i}_1} \tag{V} \end{gather} \]

substituindo as equações (IV) e (V) na equação (III)

\[ \begin{gather} d=e\left[\operatorname{sen}{\hat i}_1-\frac{\cancel{\frac{1}{n}}\operatorname{sen}{\hat i}_1\cos{\hat i}_1}{\cancel{\frac{1}{n}}\sqrt{n^2-\operatorname{sen}^2{\hat i}_1}}\right] \end{gather} \]

colocando \( \operatorname{sen}{\hat i}_1 \) em evidência

\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {d=e\operatorname{sen}{\hat i}_1\left[1-\frac{\cos{\hat i}_1}{\sqrt{n^2-\operatorname{sen}^2{\hat i}_1}}\right]} \end{gather} \]
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