Na parte superior do teto de um submarino foi colocada uma fonte de luz isotrópica (ou seja, que emite luz
igualmente em todas as direções). Quando este submarino está submerso, qual é a fração da luz que emerge da
superfície da água do mar, cujo índice de refração é 1,34? Despreze a possibilidade de que parte da luz
seja absorvida pela água.
Dados do problema:
- Índice de refração da água do mar: nm = 1,34;
- Índice de refração do ar: na = 1.
Esquema do problema:
Solução::
A luz emitida pela fonte se espalha igualmente por uma esfera imaginária em torno da fonte (Figura 1-A).
Existe um ângulo limite onde o raio de luz sai rasante à superfície do mar, se um raio emitido pela fonte
possuir um ângulo menor que este ângulo limite ele sai para o ar, mas se o ângulo for maior que este, o
raio emitido será refletido de volta para o mar. Chamaremos de A1 a área da esfera que
envolve toda a luz emitida pela fonte, e de A2 a área da calota esférica através da
qual a luz sai para o ar.
Sendo R o raio da esfera que envolve a fonte (Figura 1-B), a área da esfera é dada por
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{A_1=4\pi R^2}
\end{gather}
\]
se h é a altura da calota que fica para fora da água, sua área será
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{A_2=2\pi Rh}
\end{gather}
\]
θL será o ângulo limite e o raio será igual a
\[
\begin{gather}
R=L+h \tag{I}
\end{gather}
\]
Então, a fração de luz f que emergirá será dada pela área da calota fora da água,
A2, dividida pela área total da esfera, A1
\[
\begin{gather}
f=\frac{A_2}{A_1}=\frac{\cancel 2\cancel{\pi}\cancel Rh}{\cancelto{2}{4}\cancel{\pi}R^{\cancel 2}}=\frac{h}{2R} \tag{II}
\end{gather}
\]
Para determinar a fração de luz que emerge, só precisamos obter
h. Na Figura 2, é mostrado um raio
que sai da fonte luminosa e emerge com um ângulo limite
θL. Traçando uma reta
vertical,
N, no ponto onde o raio emerge, o ângulo
θL entre
R e
L é o mesmo ângulo que temos entre
R e
N, são ângulos alternos internos.
Aplicando a
Lei de Snell-Descartes
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{n_1\operatorname{sen}\theta_1=n_2\operatorname{sen}\theta_2}
\end{gather}
\]
\[
\begin{gather}
n_m\operatorname{sen}\theta_{\small L}=n_{a}\operatorname{sen}90° \\[5pt]
\operatorname{sen}\theta_{\small L}=\frac{n_{a}}{n_m}\operatorname{sen}90°
\end{gather}
\]
Da Trigonometria \( \operatorname{sen}90°=1 \)
\[
\begin{gather}
\operatorname{sen}\theta_L=\frac{n_{a}}{n_m}1 \\[5pt]
\operatorname{sen}\theta_L=\frac{n_{a}}{n_m} \tag{III}
\end{gather}
\]
Desta figura também podemos obter o cosseno do ângulo limite
\[
\begin{gather}
\cos\theta_{\small L}=\frac{\text{cateto adjacente}}{\text{hipotenusa}}=\frac{L}{R} \\[5pt]
R\cos\theta_{\small L}=L
\end{gather}
\]
da equação (I) temos o valor de L=R−h
\[
\begin{gather}
R\cos\theta_{\small L}=R-h \\[5pt]
h=R-R\cos\theta_{\small L} \\[5pt]
h=R\left(1-\cos\theta_{\small L}\right) \tag{IV}
\end{gather}
\]
Da
Trigonometria
\[
\begin{gather}
\cos^2\theta+\operatorname{sen}^2\theta =1 \\[5pt]
\cos\theta=\sqrt{1-\operatorname{sen}^2\theta\;}
\end{gather}
\]
substituindo este valor do cosseno na equação (IV)
\[
\begin{gather}
h=R\left(1-\sqrt{1-\operatorname{sen}^2\theta_L\;}\right)
\end{gather}
\]
substituindo a equação (III)
\[
\begin{gather}
h=R\left[1-\sqrt{1-\left(\frac{n_{a}}{n_m}\right)^2\;}\right] \tag{V}
\end{gather}
\]
substituindo a equação (V) na equação (II)
\[
\begin{gather}
f=\frac{\cancel R\left[1-\sqrt{1-\left(\dfrac{n_{a}}{n_m}\right)^2\;}\right]}{2\cancel R} \\[5pt]
f=\frac{1}{2}\left[1-\sqrt{1-\left(\frac{n_{a}}{n_m}\right)^2\;}\right] \\[5pt]
f=\frac{1}{2}\left[1-\sqrt{1-\left(\frac{1}{1,34}\right)^2\;}\right] \\[5pt]
f=0,167
\end{gather}
\]
A fração de luz que emerge do mar será de
16,7%.