Exercício Resolvido de Estática
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Uma barra AOB homogênea de seção transversal constante cujo peso é de 15 N é dobrada formando um ângulo reto em O com AO=1 m e BO=0,5 m. Suspende-se a barra pelo ponto O. Determinar:
a) O ângulo α formado por AO com a vertical na posição de equilíbrio;
b) A intensidade da força horizontal que deve ser aplicada em A, no plano AOB, para que AO e BO sejam igualmente inclinados em relação à horizontal;
c) No caso do item (b), encontre a intensidade reação no ponto de suspensão O.

Dados do problema:

  • Peso da barra: P=15 N;
  • Comprimento do segmento AO: DA=1 m;
  • Comprimento do segmento BO: DB=0,5 m.

Esquema do problema:

Adotamos o ponto O, onde a peça está fixa, como ponto de referência. Como a barra é homogênea e de seção constante sua massa está igualmente distribuída por toda a sua extensão, assim podemos considerar que o centro de massa de cada um dos “braços” da peça está em seu centro. Em AO o centro está em \( d_{\small A}=\frac{D_{\small A}}{2}=\frac{1}{2}=0,5\;\mathrm m \), onde está aplicada a força peso \( \vec{P}_{\small A} \). Em BO o centro está em \( d_{\small B}=\frac{D_{\small B}}{2}=\frac{0,5}{2}=0,25\;\mathrm m \), onde está aplicada a força peso \( {\vec{P}}_{\small B} \). No ponto O temos a força de tensão \( \vec{T} \) (Figura 1).
A peça pode girar em torno do ponto O, vamos adotar o sentido anti-horário como sendo positivo.
Como a barra está dobrada numa proporção 2:1, ou seja, um “braço” tem o dobro do comprimento do outro (1 m e 0,5 m), e como a barra é homogênea, seu peso está distribuído na mesma proporção. Assim do total de 15 N, PA=10 N e PB=5 N.
Figura 1

Solução:

a) O momento de uma força é dado por

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {M=Fd} \tag{I} \end{gather} \]
“Esquecendo” o segmento BO da peça e considerando apenas o segmento AO, a força peso \( {\vec P}_{\small A} \) pode ser decomposta em duas componentes, uma componente paralela ao “braço” \( {\vec P}_{\small{AP}} \) e outra componente perpendicular ou normal \( {\vec P}_{\small{AN}} \).
O ângulo entre o segmento AO e a vertical por O é dada igual à α, a força peso \( {\vec P}_{\small A} \) é paralela à vertical que passa por O e a componente \( {\vec P}_{\small{AP}} \) está na mesma direção que o segmento AO, então o ângulo entre a força peso e a componente paralela também vale α, são ângulos correspondes (Figura 2).
Apenas a componente normal contribui para que o “braço” gire em torno do ponto O, como esta componente faz girar no mesmo sentido da orientação escolhida o momento desta força será positivo, aplicando a expressão (I)
\[ \begin{gather} M_{P_{\small{AN}}}=P_{AN}d_{\small A} \tag{II} \end{gather} \]
Figura 2

A compoente normal é dada por (Figura 2)

\[ \begin{gather} P_{\small{AN}}=P_{\small A}\operatorname{sen}\alpha \tag{III} \end{gather} \]

substituindo a expressão (III) na expressão (II)

\[ \begin{gather} M_{P_{\small{AN}}}=P_{\small A}\operatorname{sen}\alpha d_{\small A} \tag{IV} \end{gather} \]
“Esquecendo” o segmento AO da peça e considerando apenas o segmento BO, a força peso \( {\vec P}_{\small B} \) pode ser decomposta em duas componentes, uma componente paralela ao “braço” \( {\vec P}_{\small{BP}} \) e outra componente perpendicular ou normal \( {\vec P}_{\small{BN}} \).
O ângulo entre o segmento BO e a vertical por O chamamos de β, a força peso \( {\vec P}_{\small B} \) é paralela à vertical que passa por O e a componente \( {\vec P}_{\small{BP}} \) está na mesma direção que o segmento BO, então o ângulo entre a força peso e a componente paralela também vale β, são ângulos correspondes (Figura 3). Como a barra foi dobrada com um ângulo reto (90°) em O a soma de α e β deve ser 90°, são ângulos complementares, então β deve ser \( \alpha +\beta =90°\Rightarrow \beta=90°-\alpha \).
Apenas a componente normal contribui para que o “braço” gire em torno do ponto O, como esta componente faz girar no sentido contrário da orientação escolhida o momento desta força será negativo, aplicando a expressão (I)
\[ \begin{gather} M_{P_{\small{BN}}}=-P_{\small{BN}}d_{\small B} \tag{V} \end{gather} \]
Figura 3

A componente normal será dada por (Figura 3)

\[ \begin{gather} P_{\small{BN}}=P_{BA}\operatorname{sen}\beta\\[5pt] P_{\small{BN}}=P_{\small B}\operatorname{sen}(90°-\alpha) \end{gather} \]
Da Trigonometria \( \sin (a-b)=\operatorname{sen}a\,\cos b-\sin b\,\cos a \)
\[ \sin (a-b)=\operatorname{sen}a\,\cos b-\sin b\,\cos a \]
\[ \begin{gather} P_{\small{BN}}=P_{\small B}(\operatorname{sen}90°\cos \alpha -\operatorname{sen}\alpha \cos 90°)\\[5pt] P_{\small{BN}}=P_{\small B}(1\times\cos \alpha -\operatorname{sen}\alpha\times 0)\\[5pt] P_{\small{BN}}=P_{\small B}\cos \alpha \tag{VI} \end{gather} \]

substituindo a expressão (VI) na expressão (V)

\[ \begin{gather} M_{P_{BN}}=-P_{\small B}\cos \alpha d_{\small B} \tag{VII} \end{gather} \]

No ponto O temos a força de tensão, aplicando (I)

\[ \begin{gather} M_{\small T}=Td_{\small T} \end{gather} \]

como a distância é nula em relação à origem, \( d_{\small T}=0 \), a força está aplicada na própria origem

\[ \begin{gather} M_{\small T}=T\times 0\\[5pt] M_{\small T}=0 \tag{VIII} \end{gather} \]

Usando a condição de que a somatória dos momentos é nula

\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {\sum M=0} \tag{IX} \end{gather} \]

substituindo as expressões (IV), (VII) e (VIII) na condição (IX)

\[ \begin{gather} M_{P_{\small{AN}}}+M_{P_{\small{BN}}}+M_{\small T}=0\\[5pt] P_{\small A}\operatorname{sen}\alpha d_{\small A}-P_{\small B}\cos \alpha d_{\small B}+0=0\\[5pt] P_{\small A}\operatorname{sen}\alpha d_{\small A}=P_{\small B}\cos \alpha d_{\small B}\\[5pt] \frac{\operatorname{sen}\alpha }{\cos \alpha}=\frac{P_{\small B}d_{\small B}}{P_{\small A}d_{\small A}} \end{gather} \]
Da Trigonometria \( \operatorname{tg}\alpha =\frac{\operatorname{sen}\alpha }{\cos \alpha } \)

substituindo os dados do problema

\[ \begin{gather} \operatorname{tg}\alpha =\frac{5\times 0,25}{10\times 0\times 5}\\[5pt] \operatorname{tg}\alpha =\frac{1,25}{5}\\[5pt] \operatorname{tg}\alpha =0,25\\[5pt] \alpha =\operatorname{arc tg}\,0,25 \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {\alpha \simeq 14°} \end{gather} \]

b) Uma força \( \vec F \) aplicada no ponto A faz a peça girar em torno do ponto O até que os ângulos entre os dois segmentos fiquem iguais a γ, a peça também é puxada para a esquerda de modo que o fio de fixação no teto deixa de estar num posição vertical (Figura 4).
Observação: Na condição do item (a) o ângulo α entre o segmento AO e a vertical foi determinado como sendo 14°, portanto o ângulo entre o segmento BO e a vertical vale \( 90°-14°=76° \). Para que os dois ângulos fiquem iguais, a peça deve girar de modo que o ângulo de 14° aumente e o de 76° diminua (até ficarem iguais a 45°), isto acontece quando a peça gira no sentido horário, não confundir com a seta da Figura 4 que indica apenas o sentido positivo do sistema de referência.
Figura 4
Considerando apenas o segmento AO, a força \( \vec F \) pode ser decomposta em duas componentes, uma componente paralela ao “braço” \( {\vec F}_{P} \) e outra componente perpendicular ou normal \( {\vec F}_{N} \).
O ângulo entre o segmento AO e a vertical por O é γ, o ângulo entre a vertical que passa pelo ponto A e a componente paralela à AO também é γ, são ângulos correspondentes. Como a força aplicada é horizontal ela forma um ângulo δ com a componente paralela, a soma de γ e δ deve ser 90° (são ângulos complementares) \( \gamma +\delta =90°\Rightarrow \delta =90°-\gamma \) (Figura 5).
Apenas a componente normal contribui para que o “braço” gire em torno do ponto O, como esta componente faz girar no sentido contrário da orientação escolhida o momento desta força será negativo, pela expressão (I), onde a distância do ponto de referência O ao ponto de aplicação da força é o comprimento do segmento AO dado no problema
\[ \begin{gather} M_{F_{N}}=-F_{N}D_{\small A} \tag{X} \end{gather} \]
Figura 5

A componente normal será dada por (Figura 5)

\[ \begin{gather} F_{N}=F\operatorname{sen}\delta\\[5pt] F_{N}=F\operatorname{sen}(90°-\gamma) \end{gather} \]

usando a propriedade do seno da diferença acima

\[ \begin{gather} F_{N}=F(\operatorname{sen}90°\cos \gamma -\operatorname{sen}\gamma \cos 90°)\\[5pt] F_{N}=F(1\times \cos \gamma -\operatorname{sen}\gamma \times 0)\\[5pt] F_{N}=F\cos \gamma \tag{XI} \end{gather} \]

substituindo a expressão (XI) na expressão (X)

\[ \begin{gather} M_{F_{N}}=-F\cos \gamma D_{\small A} \tag{XII} \end{gather} \]

Para as outras forças envolvidas no sistema continuam válidas as expressões anteriores com a mudança do ângulo α em (IV) e (VII) pelo novo ângulo γ. Substituindo (IV), (VII), (VIII) e (XII) na condição (IX)

\[ \begin{gather} M_{P_{\small{AN}}}+M_{P_{\small{BN}}}+M_{\small T}+M_{F_{N}}=0\\[5pt] P_{\small A}\operatorname{sen}\gamma d_{\small A}-P_{\small B}\cos \gamma d_{\small B}+0-F\cos \gamma D_{\small A}=0\\[5pt] P_{\small A}\operatorname{sen}\gamma d_{\small A}=P_{\small B}\cos \gamma d_{\small B}+F\cos \gamma D_{\small A} \end{gather} \]

colocando cos γ em evidência do lado direito da igualdade

\[ \begin{gather} P_{\small A}\operatorname{sen}\gamma d_{\small A}=\cos \gamma (P_{\small B}d_{\small B}+FD_{\small A}) \end{gather} \]

a barra é dobrada formando um ângulo de 90°, e queremos que os dois lados tenham a mesma inclinação \( \gamma =45° \)

Da Trigonometria \( \cos 45°=\operatorname{sen}45°=\frac{\sqrt{2\,}}{2} \)
\[ \begin{gather} P_{\small A}d_{\small A}\cancel{\frac{\sqrt{2\,}}{2}}=\cancel{\frac{\sqrt{2\,}}{2}}(P_ {B}d_{\small B}+FD_{\small A}) P_{\small A}d_{\small A}=P_{\small B}d_{\small B}+FD_{\small A}\\[5pt] F=\frac{P_{\small A}d_{\small A}-P_{\small B}d_{\small B}}{D_{\small A}} \end{gather} \]

substituindo os valores dados

\[ \begin{gather} F=\frac{10\times 0,5-5\times 0,25}{1}\\[5pt] F=5-1,25 \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {F=3,75\;\mathrm N} \end{gather} \]

c) Desenhando as forças que atuam no sistema da Figura 5 em um sistema de eixos coordenados xy temos o esquema mostrado na Figura 6. Para que o sistema permaneça em equilíbrio aplicamos a condição de que a somatória das forças é nula
\[ \begin{gather} \bbox[#99CCFF,10px] {\sum F=0} \tag{XIII} \end{gather} \]
Figura 6

Direção x:

  • \( {\vec T}_x \): componente da força de tensão na direção x;
  • \( \vec F \): força externa aplicada para equilibrar a barra.

Aplicando a condição (XIII)

\[ \begin{gather} T_x-F=0\\[5pt] T_x=F \end{gather} \]

usando o resultado do item (b)

\[ \begin{gather} T_x=3,75\;\mathrm N \tag{XIV} \end{gather} \]

Direção y:

  • \( {\vec T}_y \): componente da força de tensão na direção y;
  • \( {\vec P}_{\small A} \): força peso do segmento AO;
  • \( {\vec P}_{\small B} \): força peso do segmento BO.

Aplicando a condição (XIII)

\[ \begin{gather} T_y-P_{\small A}-P_{\small B}=0\\[5pt] T_y=P_{\small A}+P_{\small B} \end{gather} \]

substituindo os dados do problema

\[ \begin{gather} T_y=10+5 \\[5pt] T_y=15\;N \tag{XV} \end{gather} \]

A reação à tensão será dada pelo Teorema de Pitágoras (Figura 6)

\[ \begin{gather} T^2=T_x^2+T_y^2 \end{gather} \]

substituindo as expressões (XIV) e (XV)

\[ \begin{gather} T^2=3,75^2+15^2\\[5pt] T^2=14,1+225\\[5pt] T^2=239,1\\[5pt] T=\sqrt{239,1\;} \end{gather} \]
\[ \begin{gather} \bbox[#FFCCCC,10px] {T\simeq 15,4\;\mathrm N} \end{gather} \]
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