Na figura, a mola é ideal, a situação (a) é de equilíbrio estável do sistema massa-mola, e a situação (b)
é a da mola em repouso. Abandonando-se o bloco M como indica a situação (b), determinar:
a) A constante elástica da mola;
b) A velocidade máxima atingida pelo bloco M.
Dados do problema:
- Altura da queda do bloco M até atingir a mola: h;
- Distância que a mola é comprimida sob ação do bloco M: d.
Solução:
a) Para o cálculo da constante elástica da mola usamos a situação de equilíbrio mostrada em (a),
Figura 1. As forças que atuam no bloco são:
- \( {\vec F}_e \): força elástica devido à mola;
- \( \vec P \): peso do bloco M.
Como o sistema está em equilíbrio, a soma de todas as forças que atuam sobre o bloco é igual a zero.
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{\sum F=0}
\end{gather}
\]
adotando-se um sistema de referência orientado para baixo e aplicando esta condição à Figura 1
\[
\begin{gather}
P-F_e=0 \tag{I}
\end{gather}
\]
a força peso é dada por
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{P=mg} \tag{II}
\end{gather}
\]
a força elástica da mola é dada por
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{F_e=kx} \tag{III}
\end{gather}
\]
substituindo as equações (II) e (III) na equação (I) e x=d
\[
\begin{gather}
mg-kx=0 \\[5pt]
mg=kx
\end{gather}
\]
a constante da mola será
\[
\begin{gather}
\bbox[#FFCCCC,10px]
{k=\frac{mg}{d}}
\end{gather}
\]
b) Para calcular a velocidade máxima atingida pelo bloco, dividimos o problema em duas partes; em primeiro
lugar a queda do bloco M até atingir a mola e em segundo a compressão da mola até a posição de
equilíbrio.
Na primeira parte o bloco está em queda livre, sob a ação da aceleração da gravidade partindo do repouso.
Nestas condições podemos utilizar o Princípio da Conservação da Energia Mecânica. Tomando-se o
Nível de Referência (N.R.) para esta parte do movimento na plataforma da mola. No ponto de
onde o bloco é solto só temos Energia Potencial,
\( E_p^i \),
devido a altura em relação ao referencial, e no ponto onde o bloco bate na mola só temos
Energia Cinética,
\( E_c^f \),
devido a velocidade (Figura 2)
\[
\begin{gather}
E_m^i=E_m^f \\[5pt]
E_p^i=E_c^f \tag{IV}
\end{gather}
\]
a
Energia Potencial é dada por
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{E_p=mgh} \tag{V}
\end{gather}
\]
a Energia Cinética é dada por
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{E_c=\frac{mv^2}{2}} \tag{VI}
\end{gather}
\]
substituindo as equações (V) e (VI) na equação (IV)
\[
\begin{gather}
\cancel mgh=\frac{\cancel mv^2}{2} \\[5pt]
gh=\frac{v^2}{2} \\[5pt]
v^2=2gh \\[5pt]
v=\sqrt{2gh\;} \tag{VII}
\end{gather}
\]
Na segunda parte (Figura 3-a) vemos que no momento em que o bloco bate na mola estão atuando no bloco a
força peso e a força elástica da mola, ainda pequena, e que aumenta com a compressão da mola, neste ponto a
aceleração do bloco é positiva (a>0) e a velocidade também é positiva (v>0). A medida que o bloco
comprime a mola a força elástica aumenta até se igualar à força peso (Figura 3-b), neste ponto como as duas
forças se equivalem a aceleração é zero (ponto de equilíbrio estável dado no problema) e a velocidade
atingiu seu valor máximo (valor pedido no problema).
Na Figura 3-c o bloco passou do ponto de equilíbrio estável, a força elástica da mola supera o valor da
força peso e a resultante das forças é "para cima", a aceleração "muda de sinal" (a<0), mas a velocidade
continua "para baixo" (v>0) ela começa a diminuir em relação ao valor máximo atingido na situação
anterior.
Então a posição em que a velocidade do bloco é máxima é a posição de equilíbrio, para calcular a sua
velocidade neste ponto vamos utilizar novamente o
Princípio da Conservação da Energia Mecânica
(Figura 4). Adotando-se o nível de referência na altura de equilíbrio, temos que no ponto inicial
(onde o bloco bate na mola) há
Energia Potencial,
\( E_p^i \),
devido à altura
d em relação ao nível de referência, e
Energia Cinética,
\( E_c^i \),
devido à velocidade inicial
v0 dado pelo valor (VII) calculado acima.
No ponto
d, adotado como referência, a
Energia Potencial é zero (não há altura), mas temos
Energia Cinética,
\( E_c^f \),
devido a máxima velocidade do bloco e
Energia Potencial Elástica,
\( E_e \),
devido a compressão da mola.
\[
\begin{gather}
E_m^i=E_m^f \\[5pt]
E_c^i+E_p^i=E_c^f+E_e
\end{gather}
\]
as energias potencial e cinética são dadas pelas equações (V) e (VI) respectivamente e a energia potencial
elástica é dada por
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{E_e=\frac{kx^2}{2}} \tag{VIII}
\end{gather}
\]
substituindo as equações (V), (VI) e (VIII) para as situações inicial e final, e usando o valor de
k calculado no item (a) e x=d
\[
\begin{gather}
\frac{mv_{0}^2}{2}+mgd=\frac{mv^2}{2}+\frac{kd^2}{2} \\[5pt]
\frac{1}{2}m\left(\sqrt{2gh}\right)^2+mgd=\frac{1}{2}mv^2+\frac{1}{2}\frac{mg}{d}d^2 \\[5pt]
\frac{1}{2}mv^2=\frac{1}{2}m2gh+mgd-\frac{1}{2}mgd \\[5pt]
\cancel{\frac{1}{2}m}v^2=\cancel{\frac{1}{2}m}2gh+\cancel{\frac{1}{2}m}gd \\[5pt]
v^2=2gh+gd \\[5pt]
v^2=g(2h+d)
\end{gather}
\]
\[
\begin{gather}
\bbox[#FFCCCC,10px]
{v=\sqrt{g(2h+d)}}
\end{gather}
\]