Três esferas, cada uma delas de peso P e eletrizada com carga Q, estão suspensas por fios
isolantes de comprimento L presos a um mesmo ponto. Na posição de equilíbrio os fios formam um
ângulo θ com a vertical. Calcule a carga Q,
Dados do problema:
- Peso de cada esfera: P;
- Comprimento do fio: L;
- Ângulo entre o fio e a vertical: θ;
- Constante eletrostática do vácuo: k0.
Solução:
Olhando este arranjo de cargas de cima em direção a um plano horizontal que contém as cargas (Figura 1-A),
como todas as cargas têm o mesmo valor elas se repelem ficando equidistantes umas das outras (Figura 1-B).
As cargas estão nos vértices de um triângulo equilátero, sendo a distância entre duas cargas igual a
d, o ângulo entre dois lados do triângulo é de 60º.
A distância de uma carga ao centro da distribuição é R e a distância d entre duas cargas,
lado do triângulo, pode ser encontrada aplicando-se a Lei dos Cossenos (Figura 1-B).
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{c^2=a^2+b^2-2ab\cos\alpha}
\end{gather}
\]
\[
\begin{gather}
d^2=R^2+R^2-2RR\cos 120°
\end{gather}
\]
Da Trigonometria
\( \cos 120°=-{\dfrac{1}{2}} \)
\[
\begin{gather}
d^2=2R^2-\cancel 2R^2\times\left(-{\frac{1}{\cancel 2}}\right) \\[5pt]
d^2=2R^2+R^2 \\[5pt]
d^2=3R^2 \\[5pt]
d=\sqrt{3R^2\;} \\[5pt]
d=R\sqrt{3\;}
\end{gather}
\]
Sobre uma das cargas atua a força elétrica
\( {\vec F}_{\small E} \)
devido às outras duas cargas, usando a Lei de Coulomb.
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{F_{\small E}=k_0\frac{|Q_1||Q_2|}{r^2}}
\end{gather}
\]
\[
\begin{gather}
F_{\small E}=k_0\frac{Q\;Q}{d^2} \\[5pt]
F_{\small E}=k_0\frac{Q^2}{\left(R\sqrt{3\;}\right)^2} \\[5pt]
F_{\small E}=k_0\frac{Q^2}{3R^2} \tag{I}
\end{gather}
\]
O ângulo ente estas forças é oposto ao ângulo do triângulo onde está a carga, assim este ângulo também
mede 60º (Figura 1-B). A força elétrica resultante sobre uma das cargas,
\( {\vec F}_{\small{ER}} \),
é calculada aplicando a Lei dos Cossenos.
\[
\begin{gather}
F_{\small{ER}}^2=F_{\small E}^2+F_{\small E}^2+2F_{\small E}F_{\small E}\cos 60°
\end{gather}
\]
Da Trigonometria
\( \cos 60°=\dfrac{1}{2} \)
\[
\begin{gather}
F_{\small{ER}}^2=2F_{\small E}^2+\cancel 2F_{\small E}^2\frac{1}{\cancel 2} \\[5pt]
F_{\small{ER}}^2=2F_{\small E}^2+F_{\small E}^2 \\[5pt]
F_{\small{ER}}^2=3F_{\small E}^2 \\[5pt]
F_{\small{ER}}=\sqrt{3F_{\small E}^2\;} \\[5pt]
F_{\small{ER}}=F_{\small E}\sqrt{3\;} \tag{II}
\end{gather}
\]
substituindo o valor da força entre duas cargas encontrado na equação (I) na equação (II), temos a
resultante sobre uma das cargas.
\[
\begin{gather}
F_{\small E}=k_0\frac{Q^2}{R^2}\frac{\sqrt{3\;}}{3} \tag{III}
\end{gather}
\]
O raio da circunferência em torno do qual as esferas se distribuem pode ser escrito em função de
L e
θ dados (Figura 2).
\[
\begin{gather}
\operatorname{sen}\theta=\frac{\text{cateto oposto}}{\text{hipotenusa}}=\frac{R}{L} \\[5pt]
R=L\operatorname{sen}\theta \tag{IV}
\end{gather}
\]
substituindo a equação (IV) na equação (III).
\[
\begin{gather}
F_{\small E}=k_0\frac{Q^2}{L^2\operatorname{sen}^2\theta}\frac{\sqrt{3\;}}{3} \tag{V}
\end{gather}
\]
Observação: Por que na primeira
Lei dos Cossenos foi usado o sinal de subtração do
cosseno e na segunda uma soma?
Para um triângulo de lados
a,
b,
c e ângulo
α, oposto ao lado
c como na figura, a
Lei dos Cossenos é escrita como
\[
\begin{gather}
c^2=a^2+b^2-2ab\cos\alpha
\end{gather}
\]
como é o primeiro caso do problema.
No entanto se o lado
b do triângulo for colocado numa posição formando um ângulo
β
com o lado
a, este ângulo será o mesmo que o ângulo formado entre um prolongamento do lado
a e a posição original do lado
b, estes dois ângulo são suplementares (sua soma é 180°),
assim o valor de
β será
\[
\begin{gather}
\alpha+\beta=180° \\[5pt]
\beta=180°-\alpha
\end{gather}
\]
Aplicanado a
Lei dos Cossenos a este caso
\[
\begin{gather}
c^2=a^2+b^2+2ab\cos\beta \\[5pt]
c^2=a^2+b^2+2ab\cos(180°-\alpha )
\end{gather}
\]
pela identidade do cosseno da diferença de arcos
\[
\begin{gather}
\cos(x-y)=\cos x\cos y+\operatorname{sen}x\operatorname{sen}y
\end{gather}
\]
\[
\begin{gather}
c^2=a^2+b^2+2ab(\cos 180°\cos\alpha+\operatorname{sen}180°\operatorname{sen}\alpha) \\[5pt]
c^2=a^2+b^2+2ab(-1\times\cos\alpha +0\times\operatorname{sen}\alpha) \\[5pt]
c^2=a^2+b^2-2ab\cos\alpha
\end{gather}
\]
o segundo caso do problema é equivalente ao primeiro.
Assim as duas equações coincidem, dependendo apenas de qual ângulo é considerado.
Olhando agora em direção a um plano vertical que contenha uma carga e o fio que a sustenta (Figura 5-A).
Atuam sobre a carga a força peso
\( \vec P \),
a tensão no fio
\( \vec T \)
e a força elétrica
\( {\vec F}_{\small E} \)
devido às outras cargas (Figura 5-B). O ângulo do fio, onde a carga esta fixada, e a vertical é dado
igual a θ este também é o ângulo entre o fio e a vertical que passa pela carga, são ângulo
alternos internos.
Desenhamos as forças em um sistema de eixos Cartesianos e decompomos as forças ao longo das direções
x e y (Figura 6). Aplicando a 2.ª Lei de Newton
\[
\begin{gather}
\bbox[#99CCFF,10px]
{\vec F=m\vec a} \tag{VI}
\end{gather}
\]
Na direção
y temos a força peso
\( \vec P \)
e a componente
y da força de tensão
\( {\vec T}_y \),
como não há movimento nesta direção as forças se anulam e a resultante é zero.
\[
\begin{gather}
P-T_y=0 \\[5pt]
P=T_y \tag{VII}
\end{gather}
\]
O ângulo
θ é medido entre a força tensão e o eixo-
y, então a componente da força de
tensão na direção
y é dada por
\[
\begin{gather}
T_y=T\cos\theta \tag{VIII}
\end{gather}
\]
substituindo a equação (VIII) na equação (VII).
\[
\begin{gather}
P=T\cos\theta \tag{IX}
\end{gather}
\]
Na direção x temos a força elétrica
\( {\vec F}_{\small E} \)
e a componente horizontal da força de tensão
\( {\vec T}_x \),
como não há movimento nesta direção as forças se anulam e resultante é zero.
\[
\begin{gather}
T_x-F_{\small E}=0 \\[5pt]
T_x=F_{\small E} \tag{X}
\end{gather}
\]
a componente da força de tensão na direção x é dada por
\[
\begin{gather}
T_x=T\operatorname{sen}\theta \tag{XI}
\end{gather}
\]
substituindo a equação (XI) na equação (X).
\[
\begin{gather}
F_{\small E}=T\operatorname{sen}\theta \tag{XII}
\end{gather}
\]
Dividindo a equação (XI) pela equação (IX).
\[
\begin{gather}
\frac{F_{\small E}}{P}=\frac{\cancel T\operatorname{sen}\theta}{\cancel T\cos\theta}
\end{gather}
\]
Da Trigonometria
\( \dfrac{\operatorname{sen}\theta}{\cos\theta}=\operatorname{tg}\theta \)
\[
\begin{gather}
\frac{F_{\small E}}{P}=\operatorname{tg}\theta \\[5pt]
F_{\small E}=P\operatorname{tg}\theta
\end{gather}
\]
substituindo a força elétrica pelo valor encontrado na equação (V).
\[
\begin{gather}
k_0\frac{Q^2}{L^2\operatorname{sen}^2\theta}\frac{\sqrt{3\;}}{3}=P\operatorname{tg}\theta \\[5pt]
Q^2=\frac{3}{\sqrt{3\;}}\frac{P\operatorname{tg}\theta}{k_0}L^2\operatorname{sen}^2\theta
\end{gather}
\]
multiplicando o termo do lado direito da igualdade por
\( \frac{\sqrt{3\;}}{\sqrt{3\;}} \).
\[
\begin{gather}
Q^2=\frac{3}{\sqrt{3\;}}\frac{\sqrt{3\;}}{\sqrt{3\;}}\frac{P\operatorname{tg}\theta}{k_0}L^2\operatorname{sen}^2\theta \\[5pt]
Q^2=\frac{\cancel{3}\sqrt{3\;}}{\cancel{3}}\frac{P\operatorname{tg}\theta}{k_0}L^2\operatorname{sen}^2\theta \\[5pt]
Q^2=\frac{\sqrt{3\;}P\operatorname{tg}\theta}{k_0}L^2\operatorname{sen}^2\theta \\[5pt]
Q=\sqrt{\frac{\sqrt{3\;}P\operatorname{tg}\theta}{k_0}L^2\operatorname{sen}^2\theta \;}
\end{gather}
\]
\[
\begin{gather}
\bbox[#FFCCCC,10px]
{Q=L\operatorname{sen}\theta\sqrt{\frac{\sqrt{3\;}P\operatorname{tg}\theta}{k_0}\;}}
\end{gather}
\]